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20/10/2018 07:00

O Instagram está deixando você mais pobre?

Estamos sempre nos comparando com os outros, definiu Leon Festinger no seu seminal artigo, de 1954, que introduziu a Teoria da Comparação Social, abrindo um ramo novo da ciência comportamental. O problema que com as redes sociais o impacto disso é muito maior. Lissette Calveiro é um bom exemplo. A americana, de 26 anos, ficou famosa na internet meses atrás ao revelar que se endividou em mais de US$ 10 mil entre 2013 e 2016 para mostrar uma vida glamurosa no Instagram. Foram gastos com roupas, jantares e viagens, que, confessou, ocorriam quase só para as postagens na rede social e no Snapchat. A extravagância terminou com Lissette tendo de passar uma temporada na casa dos pais e arrumar um emprego para quitar as dívidas, um fardo financeiro do qual que só conseguiu se livrar depois de quase dois anos trabalhando. Ninguém nega o lado bom das redes sociais em conectar pessoas, informar e muitas vezes dar suporte emocional a seus usuários. Mas plataformas como o Facebook e o Instagram também criam expectativas muitas vezes irreais, permitindo que todos se comparem com todos, não importa a renda. E muitas vezes gastando para não ficar para trás. É que ocorre, por exemplo, com um grupo específico: os pais. Metade dos entrevistados, respondendo a uma pesquisa online feita com mil pessoas e divulgada em setembro pelo site de finanças americano Credit Karma, disse gastar mais do que desejava com produtos e serviços para os filhos descobertos nas redes sociais. Um em cada 4 deles também respondeu que ver um parente ou um amigo fazendo algo numa rede social era um estímulo para fazer o mesmo. Os pais gastavam principalmente com roupas, ingressos para shows e comida orgânica. É claro que muitos deles gostariam de economizar o dinheiro para o futuro ou gastar em outra coisa, mas justificavam o descontrole com o temor de que se não o fizessem, poderiam ser julgados pelos outros pais ou mesmo seus filhos seriam julgados pelos colegas. Outro grupo particularmente exposto aos gastos desenfreados no Instagram é dos millenials, a geração nascida entre o começo da década de 80 e os anos 2000. Em um estudo com 3 mil consumidores, feito pela companhia de seguros Allianz, 6 em cada 10 deles disseram que gastavam mais do que deviam em algo que viram nas redes sociais. Além disso, 9 em cada 10 millenials gastavam influenciados pelo estilo de vida dos amigos, exibido online. Antes que se comece a se acusar uma geração em particular, entre os nascidos nos anos 60 e 70, a Geração X, 7 em cada 10 tinham o mesmo comportamento, assim como entre os babyboomers, nascidos nos anos 40 e 50, eram quase 6 em cada 10. Nos dois estudos se sobressai a mesma motivação nos gastos desnecessários, o Medo de perder algo (cujas iniciais em inglês formam uma palavra, Fomo). Fomo, relatam os entrevistados, leva a sentimentos de ansiedade, nos fazendo a gastar para não nos sentirmos excluídos. Não dá para culpar as redes sociais pelos gastos. Nem há nada de errado em você usar as plataformas para se conectar com a família e com os amigos. O problema é quando o uso se torna uma ameaça à sua saúde financeira.

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